Feito à mão

Um cara largou a carreira de professor de dança e começou a fazer bicicletas. O outro, cansou de ser roteirista e virou fazedor de facas. E tem a moça que cultiva abelhas, a família de dominicanos que tem uma loja de charutos há mais de 40 anos, e a primeira destilaria no Brooklin desde a Lei Seca.

Já recomendei pra tanta gente e já assisti tantas vezes essa série de filmes Made by Hand. Por favor, assista.

188 filmes

Pusher II
Pusher II

Ano passado eu vi 185 filmes. É bastante, talvez mais do que deveria. Salvei todos numa lista. Alguns foram no cinema, teve uns que eu baixei mas a maioria eu aluguei numa locadora.

Eu descobri essa locadora aqui perto de casa e fiquei deslumbrado. Pelo menos uma vez por semana (durante uns meses) eu montava na bicicleta e pedalava 15 minutos pra trocar filmes em discos feitos de plástico. Não sei quanto dinheiro eu gastei (foi bastante) e nem quero saber (estou devendo no banco), dinheiro não é tudo na vida (fiquei alguns dias sem almoçar.)

O primeiro filme do ano foi A outra face, pra estrear o aparelho de blu-ray que eu tinha acabado de comprar. Alguns diriam que eu comecei bem, outros são idiotas.

Eu baixei um torrent com todos os filmes dos Irmãos Marx e estou vendo todos em ordem cronológica. É tudo engraçado demais e recomendado se você quer conhecer a história do humor. Groucho, Harpo e Chico (e Zeppo) faziam há 80 anos em preto e branco com som ruim do que alguns (não sei citar nomes, eles sabem quem são) estão tentando por aí. E eu queria tocar piano como o Chico (“queria” naquele tom bem melancólico já que eu nunca vou fazer isso, não sei nem segurar um piano direito.)

As maiores furadas foram os dois filmes do Ricky Gervais que eu ainda não tinha visto: The invention of lying e outro que eu esqueci o nome. Nada engraçados, nada brilhantes, só chatos. God bless America que parecia que ia ser legal é um dos piores filmes que eu já vi na vida. O segundo Sherlock Holmes ficou longe do primeiro (que era divertido), bem longe dos livros e ainda mais longe da série Sherlock. Slaughterhouse-Five não tem quase nada do espírito do livro. Porky’s é péssimo, não lembro mais o nome de nenhum personagem, a diferença de idade dos atores pros personagens parece maior que em Malhação, não é engraçado e aparece bem menos peitinhos do que você provavelmente está pensando.

Drive foi muito bom e depois eu vi todos os filmes do dinamarquês Nicolas Winding Refn, um baita diretor, desejo muito sucesso a ele. Recomendo especialmente a trilogia Pusher e Bronson, o filme que, dizem, deu o Bane pro Tom Hardy.

Ainda faltava eu ver alguns filmes dos Coen (gosto muito deles) e na locadora eles têm uma prateleira escrito “Irmãos Coen” onde sim estão todos os filmes. Aí agora eu já completei a lista. (Top 5: Lebowski, Fargo, E aí meu irmão, O homem que não estava lá, Onde os fracos não têm vez.) Pude notar também que uma das mortes mais marcantes de Sopranos é uma homenagem a Miller’s Crossing.

Eu nunca tinha visto nenhum filme com o Peter Sellers (eu acho que vi Lolita uma vez mas não tenho certeza se conta.) Ele era um monstro (não literalmente.) Os Pantera cor-de-rosa são engraçadíssimos, Dr. Strangelove (ou Um outro nome comprido que eu não lembro exatamente) é meu Kubrick favorito. Aquele Life and death of Peter Sellers, filme da HBO com o Geoffrey Rush como Peter Sellers é bem interessante.

Apesar de falar pra todo mundo que Scorsese é um dos meus diretores favoritos, eu tinha visto pouca coisa dele. Vi Hugo no cinema. Não tinha visto Touro indomável, Mean Streets, Casino e nem After Hours. A história do pintor é minha favorita de New York Stories.

Sigourney Weaver jovem, você tem Whatsapp?

Vi alguns documentários bem legais. Being Elmo, sobre o cara que controla o Elmo, é lindo. Grizzly man, do Herzog, sobre um cara que passava férias com ursos selvagens e foi morto por eles é bem tenso. Quando éramos reis, sobre a luta do Muhammad Ali contra o George Foreman lá no Zaire, é excelente (também tem o livro A luta, do Norman Mailer.) Sobre o Ali eu também vi Facing Ali, com depoimentos de caras que lutaram contra ele e o filme do Michael Mann com o Will Smith.

Michael Mann é o diretor perfeito pra um filme do Robocop.

Foram bem poucas revisões. Jurassic Park continua divertido como eu lembrava. Revi O Poderoso Chefão duas vezes, o 3 ainda não me desce direito.

As surpresas positivas foram: Moon, ficção científica do filho do Bowie é um dos melhores dos últimos tempos. Taken é ótimo porque o Liam Neeson é um puta ator e filme de ação com ator bom é um pattern que funciona. Chronicle parece que parece com Heroes mas é muito melhor. Léon o profissional, que eu nunca tinha visto, vi duas vezes e entrou no meu Top 5.

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Não sei se esse ano vou ver tantos. Passou um pouco a empolgação inicial e parece que a locadora vai fechar. Vou arranjar outras coisas pra fazer.