Eduardo Galeano Futebol

Quando o Mundial começou, pendurei na porta da minha casa um cartaz que dizia: Fechado devido ao futebol.

Quando o retirei, um mês depois, eu já havia jogado sessenta e quatro jogos, de cerveja na mão, sem me mover da minha poltrona favorita.

Essa proeza me deixou moído, com os músculos doloridos e a garganta arrebentada; mas já estou com sentindo saudades. Já começo a sentir falta da insuportável ladainha das vuvuzelas, da emoção dos gols não recomendados para cardíacos, da beleza das melhores jogadas repetidas em câmera lenta. E também da festa e do luto, porque às vezes o futebol é uma alegria que dói, e a música que comemora alguma vitória dessas que fazem os mortos dançar soa muito parecido ao clamoroso silêncio do estádio vazio, onde algum vencido, sozinho, incapaz de se mover, espera sentado em meio às imensas arquibancadas sem ninguém.

O final de Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano (leiam).

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