Em busca do ritmo perdido

Tenho uma grande dificuldade em captar o ritmo das coisas. Não consigo avaliar alguma coisa – um filme, uma série ou algo assim – como “lenta”, “arrastada” ou “rápida” e “alucinante”, sabe como? Tem gente que faz muito bem isso. Eu costumo me prender a detalhes isolados, como uma cena bem dirigida ou uma música do Wilco na trilha sonora e usar isso como argumento.

Gosto de Ghost town porque é com Ricky Gervais e toca Wilco“.

Com livros então, é pior. Eu levo uns 3 meses pra ler um livro de 200 páginas. Por isso meus escritores favoritos, hoje, são Kurt Vonnegut e Mark Twain.

Mas recentemente vi duas coisas que tem me ajudado a melhorar nesse ponto: 24 horas, a série, e Sinédoque Nova York, o filme de Charlie Kaufman.

Jack Bauer

24 horas é uma aula básica, é um tapa na cara da sociedade que não consegue acompanhar ritmo das coisas. Porque funciona assim: cada temporada tem 24 episódios, cada episódio mostra uma hora de um dia fudido do Jack Bauer. Na primeira temporada, por exemplo, ele salva o candidato a presidência de um atentado. Na segunda, ele arruma confusão com terroristas.

Estou vendo a segunda, não sei mais pra frente.

Sendo assim, as coisas têm um tempo certo pra acontecer. Não existem aquelas cenas de surpresa, cheias de truques. Se um personagem está abrindo uma porta e a câmera fecha na cara dele, só vai ter alguém dentro da sala se a pessoa já estivesse lá, entende? Se alguém diz que só tem mais um dia de vida, você sabe que até o final da temporada ele terá batido as botas. Se o presidente pede uma reunião em 10 minutos, você sabe quando essa reunião vai acontecer. E como tudo acontece em um dia, não existem pausas.

24 é ALUCINANTE.

Sinédoque Nova York é com Philip Seymour Hoffman, o homem que nunca fez um filme ruim. O roteiro e a direção são de Charlie Kaufman, o drogado que fez Adaptação e Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Por isso eu já digo que o filme é bom, são esses os detalhes que bastam pra mim. Mas, como estou melhorando, vou dizer: o filme é LENTO.

O filme fala de Caden Cotard (Philip), um diretor de teatro muito louco, que passa mais de 20 anos montando uma peça dentro de um barracão em Nova York. Ele constrói uma réplica da cidade dentro desse barracão, e tem atores intepretando ele mesmo e depois atores interpretando atores que interpretaram ele mesmo, já que eles ficaram 20 montando a peça e o roteiro ia mudando a cada dia. É demais esse filme. Ele parece lento pra mim porque ele fala de muito tempo. De uma cena pra outra você descobre que passaram tipo 8 anos.

Não que eu vá mudar meus critérios de avaliação, prefiro continuar me prendendo aos detalhes.

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6 comentários sobre “Em busca do ritmo perdido

  1. Melhor “Missão Impossível” é o primeiro, tenhamos bom senso.

    E o “24” é alucinante mesmo, embora esse seu conceito vá mudar bastante quando vir a última temporada. É, sem exagero, umas 3 vezes mais frenética que todas as anteriores.

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