Juno, Across the universe e Uma garota irresistível

Juno

Juno me empurra o lado mais irritante do indie. O lado insuportável de aguentar. O que me fez parar de ouvir rock. O que me fez desistir de tentar faculdade de cinema. O lado que não dá pra conversar. É referência a cultura pop vomitada com a sutileza do famoso Rafael Capanema. Quer dizer, o que me irrita nos indies é esse jeito de citar qualquer coisa como se ela fosse a mais real do mundo. É lembrar de alguém e ficar esperando uma resposta, querendo puxar assunto. Eu não gosto muito. Eu luto pra não fazer isso, pra não parecer um babaca. E Juno tem isso. Eu sinto falta de honestidade nessas referenciazinhas. Gosto quando as coisas são, ou pelo menos parecem, honestas. Acho falso uma menina de 15 anos gritar que 77 foi o melhor ano do rock pra um cara que tocou numa banda em 93 e acha que esse foi o melhor ano. Isso pode ser normal da idade (isso é normal da idade) mas lá me pareceu meio idiota. E tem ainda um elenco inteiro de ótimos personagens secundários subaproveitados (ok, o filme se chama Juno, era sobre a Juno, isso passa). Mas por outro lado, Juno tem Ellen Page, que me empurra fisicamente o lado bom do indie, e tem esse menino Michael Cera, que é ótimo, engraçadíssimo e tem Belle & Sebastian e Moldy Peaches na trilha sonora. Por isso, minha nota é 7, Silvio.

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Across the universe


Across the universe é um musical, daqueles bem loko, que o cara tá falando e começa a cantar do nada. Mas a história é inteira baseada em músicas dos Beatles (a banda em que Paul McCartney tocou antes do Wings). O filme trata de um garoto chamado Hey Jude, que mora em Liverpool, e um dia pega um barco pra ir pros Estados Unidos ver o pai que não conhecia. Lá ele conhece uma menina chamada Lucy in the Sky with Diamonds, irmã de um cara chamado Max. Em certo momento, Jude e Max vão morar em uma república, com uma japa lésbica chamada Dear Prudence, e uma guria chamada Sexy Sadie, que eu achei mais ou menos sexy. O filme é absurdamente honesto. Não é só feito pra fãs, dá pra entender muito bem mesmo sem se arrepiar com as músicas. Até porque essa diretora, Julie Taymor, de Frida, sabe como fazer imagens bonitas se mexendo. Rola ainda a participação da Salma Hayek e do Bono chatolino como Dr. Robert. Minha nota é 10.

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Factory girl

Uma garota irresistível é o filme mais idiota que eu vi nos últimos tempos. É sobre Edie Sedgwick, a superstar de Andy Warhol. O filme mostra Edie, Andy Warhol, Bob Dylan e o Velvet Underground dos jeitos mais idiotas e bobos que você pode imaginar. E eles não são só bobos isoladamente, as relações também são completamente mal escritas. Andy adorava Edie, mas a maioria das conversas dos dois foram mostradas pelo telefone. Bob Dylan, que no filme não se chama Bob Dylan mas sim “Billy Quinn”, tentou boicotar o filme alegando que o roteiro dá a entender que ela se matou porque eles terminaram. Bob, o máximo que o roteiro faz é TENTAR alegar isso. Porque é um roteiro idiota, mal escrito, onde as coisas só são profundas porque os atores tentam dizer que elas são. Esse cara, Hayden Christensen (o Darth Vader quando moço), faz um Bob Dylan completamente palhação. Cate Blanchett come ele no café da manhã. Sim, podem alegar que ele colocou um Jim Morrisson e um Mick Jagger no meio, pra disfarçar e pros advogados do Bob real não terem o que fazer, mas o fato é que esse cara não tem talento, e eu acho que lembro dele da época da Malhação com o Perereca. Brian Bell e Pat Wilson, do Weezer, são vistos só de relance como Lou Reed e John Cale. E o filme nem é bonito como poderia (aliás, acho a Sienna Miller bem bonitinha), não tem trilha sonora legal, não tem nada de legal. Filme bobo pra caramba.

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5 comentários sobre “Juno, Across the universe e Uma garota irresistível

  1. eu amei o filme. Conhecí Warhol nele e o Hayden Christensen é uma gracinha. Nota 8 para o filme.
    Ps.: a Edie é linda também.

  2. Cara, quanto a garota irresistivel o filme pode até ser meio bobo, e acabar passando uma imagem fútil dos personagens, mas a época que se retrata o filme é polêmina por si só, a idéia foi dar uma certa realidade nos personagens, porque pessoas reais são assim, fazem idiotices. Quanto ao roteiro e atores, podem não ser a perfeição, mas a história é interessante mesmo assim, acredito que o autor tentou passar o ponto de vista dele.

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