House e o design

House

No curso de Desenho Industrial – Programação Visual (o popular “design”), eu sou obrigado a fazer quase que semanalmente trabalhos que eu não quero fazer. Já aprendi a me conformar com isso, hoje já não é mais problema. Alguns deles eu não quero fazer porque eles não têm nada a ver com a área que eu quero seguir (web), outros eu não quero fazer porque eles têm muito a ver com a área que eu quero seguir (web), mas eu já os fiz na vida real e acho que só por isso eu não preciso fazer (eu posso ser bem babaca às vezes). O fato é que eu faço todos eles. E de alguns eu gosto mais, de outros menos. E isso não tem nada a ver com o fato de eu querer ou não fazer o trabalho. Às vezes eu me surpreendo e consigo resultados muito bons de coisas que eu não esperava. E isso também não tem nada a ver com o tempo, já que praticamente todos os trabalhos foram feitos de última hora.

O segredo é: amor, carinho e o tal “repertório”. Eu gosto de fazer design. Mesmo quando são coisas que eu sei que não quero fazer a sério quando crescer, como cartazes, capas e outras coisas impressas, eu me sinto bem quando tenho uma boa idéia e consigo fazer um bom trabalho. E eu gosto de poder usar um pouco de tudo que eu consigo em outras áreas nos meus trabalhos. Filmes, músicas, sites, coisas da rua, seriados. Um monte de coisas que até colegas meus ignoram, servem de fonte pra eu poder fazer meus trabalhos em pouco tempo, e sem precisar ficar noites sem dormir.

E a caixa da primeira temporada do House (que a cada episódio vai se juntando com mais louvor a Seinfeld na lista das séries indispensáveis pra minha boa educação) serve de exemplo pra esse meu post-declaração. Vou tentar não falar muito das já habituais legendas erradas (mais uma vez, link pro post do Cris Dias), e tentar me concentrar na questão “por que as caixas estão saindo com essa qualidade?”

A resposta é uma união de várias coisas. Falta de tempo, falta de saco, falta de carinho. É claro que uma coisa não justifica a outra. A caixa do House tem 3 partes: 2 caixinhas (uma com 4 e outra com 2 discos) e uma caixa de papel, que é onde ficam as duas caixinhas. 3 partes, com 3 artes exatamente iguais: na frente, a foto do House puto sentado com a bengala na mão, e atrás, um texto babaca, uma frase babaca, uma imagem de um crachá babaca com outra frase babaca. Na embalagem de papel, tem uma lista com os episódios (em inglês, em uma ordem totalmente aleatória), e no crachá tem uma lista com os extras (um dos pontos positivos, os extras).

Eles perderam uma oportunidade de “pirar” (eu odeio essa palavra pra isso) 3 vezes diferentes. Fizeram uma coisa que acham que é muito legal e simplesmente repetiram. Podiam ter arrumado outras frases, outras fotos. Aquele texto foi escrito por alguém que não gosta da série.

Mas é aí que entra o carinho e o cuidado com os detalhes. Coloca alguém que gosta pelo menos um pouco da série pra fazer a caixa. Essas caixas são diferentes de filmes. Elas são caras. Não sei se tem gente que sai na loja com um carrinho, pegando os boxes, lendo as descrições, e levando. E mesmo se tiver, poxa, são quase 1000 minutos. Aquilo vai ficar na sua estante, e você vai gostar dele lá. Acredito que quem compra é alguém que conhece a coisa, que já gosta. Não precisa tanto dessas coisas pra chamar a atenção do cliente.

Mas, ei, essa é a minha opinião.

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8 comentários sobre “House e o design

  1. eu falo, nós devíamos ser os homens responsáveis por lançar as coisas aqui. Legendas, dublagens, boxes, o que mais for, tinha que passar pela nossa mão.

  2. to dando um tempo no Wilco pra dar atenção ao “etc” por enquanto! rsem breve posto mais material do senhor Tweedy.abs

  3. É aquilo que eu já disse num outro comentário: tudo culpa das distribuidoras. No caso de House, a distribuidora percebeu a popularidade da série e, no afã de ganhar dinheiro, produziu qualquer coisa, provavelmente pagando designers ruins ou simplesmente pagando mal (e dando pouco tempo para) designers razoáveis. Da tradução, então, nem se fala. Boa pate dos tradutores brasileiros de legenda já é péssima (além de, para piorar, serem uma “panelinha”). Com pouco tempo para traduzir, então, ficam ainda piores.

  4. é vitor, eu acho que o problema é mesmo da falta de qualidade dos profissionais. falta de qualidade muito mais que falta de dinheiro ou tempo. se o designer (ou tradutor) realmente gostasse e se interessasse pela coisa, a gente ia perceber. porque colocar frases traduzidas totalmente fora do contexto na legenda, ou repetir imagens genéricas nas embalagens é pura falta de amor à profissão.

  5. Ah, depois descobri que a embalagem não é culpa da distribuidora. A caixa é igualzinha nos EUA. Quanto às traduções, acho que é mais despreparo (cultura geral precária, por exemplo) do que falta de amor à profissão.

  6. Eu gostei da montagem de fotos que eles fizeram nos discos, usando só fotos de promoção. Pelo que parece o designer da caixa teve que se virar com o material já criado pelo programa, não deu para criar muita coisa nova.Realmente a série não merecia essa caixa… 😦

  7. Eu ganhei de um amigo a 1°temporada. Mas ele ja sabia que eu curtia demais a série. Abri e logo percebi que estavam escrito nas “3” caixinhas as mesmas coisas. A única coisa que me passou pela cabeça no momento foi: o que será que o próprio Dr. House diria de uma capa desse tipo? Com certeza ele não iria gostar nenhum pouco…rs! Realmente quem fez isso não conhece nenhum pouco sobre a série.

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