Tarantino, o amigo de todos

Eis o que eu acho de Quentin Tarantino: ele é apenas um cara de sorte. Quer dizer, não “apenas”. Mas principalmente, digamos.

Tarantino trocando uma idéia com o Grissom (eles são brothers)

Todo mundo sabe que ele trabalhava numa locadora, e assistia muitos filmes, e aquela coisa toda. Algumas pessoas acham que isso é tipo um sinal, ou algo assim. Mas não eu. Eu acho que ele só trabalhou naquela tal locadora porque realmente precisava da grana, e aquele era o único lugar com vaga pra um nerd como ele. E ele ficava vendo todos aqueles filmes, e pensando “cara, como eu queria ser amigo desses caras, cara”. E um dia ele pensou assim, “cara, eu acho que eu podia fazer um filme legal, cara”. E ele escreveu Cães de aluguel. E aposto que da primeira vez que ele leu a história completa, ele pensou em voz alta, “cara, esse roteiro está bom pra caralho, como eu sou talentoso, cara!”. E ele mostrou pra Harvey Keitel, que era um cara que estava em vários dos filmes que ele via, e pronto, conseguiu o primeiro amigo famoso.

É isso que eu acho. Na verdade, ele só queria era ser amigo de todo mundo. A sorte está em ele ter sido agraciado com todo esse talento filho da puta. Ele escreveu Pulp Fiction (um dos 5 melhores filmes de todos os tempos) e de cara ganhou dois amigos ótimos, John Travolta (que tem um avião) e Samuel L. Jackson (que faz uns 60 filmes por ano, e pode apresentar muita gente pra ele). Além, é claro, da Uma. E lembrando que aí ele já era amigo do Harvey Keitel e do Steve Buscemi (provavelmente um dos melhores coadjuvantes da história do cinema, que faz uma “ponta de amigo” como o garçom Buddy). Aí ele fez Jackie Brown, um filme certamente menor mas ainda assim superior, e conseguiu de cara ficar amigo da Pam Grier, e do Robert DeNiro (a quem ele carinhosamente chama de “Bob”). Passou um tempão até que ele pudesse pôr em prática a idéia que tinha tido com a amiga Uma durante as filmagens de Pulp Fiction, mas finalmente Kill Bill saiu do papel, mas ele de quebra ganhou David Carradine, Gordon Liu e Michael Parks.

Ele certamente tem noção do talento que tem e da qualidade dos filmes que faz. Dá pra ver isso sempre que ele aparece falando sobre qualquer coisa. Mas o legal é que ele usa isso pra ficar amigo das pessoas. E você vê isso pelas entrevistas que ele dá ao lado dos atores. Ele sabe muito bem se aproveitar dos filmes que faz. Ele alcançou um ponto onde as pessoas querem ser amigas dele, e acham que tudo onde ele está metido é bom. E é verdade. O simples fato de ele ser amigo do Eli Roth tornou O Albergue possível. Não que seja um bom filme, mas mostra o poder da amizade. Ele é como um mafioso do cinema.

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3 comentários sobre “Tarantino, o amigo de todos

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