ele morreu, e por isso devemos viver – como nels cline salvou a guitarra

* tradução de um artigo do brian smith, do portland mercury

o fato de nels cline acabar se juntando ao wilco tem que te dar esperanças. algumas coisas funcionam. algumas coisas podem ser boas. só agradeça a deus por ninguém nunca ter dito ao cline que o rock com guitarras está “morto”.

a primeira aparição num disco foi em 1978 (três faixas no disco openhearted, de vinny golia), mas foi só no começo da década de 90 que cline começou a detonar. o nels cline trio começou a trilhar um pequeno mas notável caminho no começo de 1990, com o lançamento do disco silencer. pela metade dos anos 90, o nome de cline começou a ser precedido por “você já ouviu falar do…”. então em 1997, depois de uma parceria com a ainda-maravilhosa carla bozulich e um time de músicos de los angeles, cline e os geraldine fibbers incendiaram o mundo com butch.

sim, mas não de verdade – não ainda. ainda, você podia ouvir o que cline tinha na manga pra gente. dançando com voz brilhantemente fodida de bozulich, cline e sua guitarra lançaram algo que se aproximava do jazz (circa ’72) lutando contra o rock (circa ’68), com um pouco da mágica de thurston moore jogada como se fosse nada.

como ele vinha fazendo a vida toda. bem, é verdade. só que ninguém tinha percebido. sabe, isso é o engraçado sobre cline. ele tocou com gente como bozulich, moore, bill frisell, charlie haden, scott amendola, mike watt, lydia lunch e wayne kramer. ele apareceu em mais de 140 discos. seu nome é como uma palavra de 40 letras, se for citado no meio de uma “conversa interessante sobre música”.

mas até dois anos e meio atrás, cline ainda era só isso: um nome. oh, ele ia bem. mas ainda não era… conhecido.

não faz nem 3 anos que você podia ir até o bar st. john em north portland, pagar 7 dólares, sentar, e ver cline apoiar a scott amendola band. garantido, um set destruidor de duas horas. cline facilmente fazia um buraco na parede do bitches brew. mas você ainda saia pensando: como ninguém nunca descobriu quem é esse cara? e aí aconteceu. nels cline se juntou ao wilco.

com certeza, já foi falado tanto sobre essa banda nos últimos quatro anos, que greg kot podia lançar outro livro de merda. mas o que agora tem se tornado inegavelmente aparente é que o wilco pode ser dividido nas fases “pré-nels cline” e “pós-nels cline”. (diga o nome de outro guitarrista capaz de afetar tanto o som de uma banda nessa triste/maravilhosa era moderna do rock).

ponto em questão: o solo de cline em hell is chrome. lançado em a ghost is born, e gravado originalmente antes de ele se juntar a banda, cline transcende a música ao vivo. (pegue o kicking television pra ver). ele se prepara tocando abafado uma batida de acordes no ritmo do R&B para o refrão, e então passa pra notas sujas nos entre-versos, fazendo tudo o que foi prometido por jimi hendrix quando detonou o solo de all along the watchtower.

trinta e dois lindos e secantes segundos depois, cline voa assim que o terceiro verso é completado. delay, reverb de molas, e um timbre arrasador enquanto cline arranca uma série de grossas e altas notas que ecoam perfeitamente com as frágeis e confessionais letras que jeff tweedy canta nos versos.

é por isso que as guitarras foram inventadas. e o mundo é um pouco melhor porque nels cline escolheu uma.

* n.t.: por favor, se alguém tiver correções, me avisa. eu acho que me perdi em alguns trechos.

site do nels
site do wilco

Anúncios

5 comentários sobre “ele morreu, e por isso devemos viver – como nels cline salvou a guitarra

  1. pô, muito boa a matéria, legal tu ter traduzido. pra mim o nels cline é um dos melhores guitarristas de todos os tempos, já. impressionante o estilo e os timbres dele. o cara consegue mesclar técnica com feeling e despojamento, faz música boa, as vezes difícil, e sem ser chato. sou fã mesmo.abração

  2. muito legal esse texto sobre o Nels!somos todos fãs do cara, com certeza, e, depois de Sky Blue Sky então (aí sim a idéia de que poucos músicos influenciam tanto assim a banda em que tocam faz mas sentido ainda), nem se fala!vou linkar esse texto lá no Wilco, Etc.abração.

  3. Cara, fodaço esse artigo. Fiquei impressionado com o timbre que o Nels conseguiu no Sky Blue Sky. Valeu pela tradução. Abraço.

  4. Muito legal a matéria, a maneira com que Nels toca me lembra aquela simplicidade enganadora do toque de Jerry Garcia… é sempre simples pra quem sabe… e Jeff Tweedy que agradeça o convívio com Nels, o que ele faz em Sky Blue Sky é brincadeira. Vou garimpar o trabalho dele, valeu.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s