o dia em que uns maluco quase me ganharam

que fique registrado que essa história é totalmente verdadeira.

eu tava passando pela frente da cassol. quem conhece essa região aqui de curitiba, sabe que é tenso. é perto da rodoviária, é perto de dois viadutos, é caminho do estação, é foda. então, eu moro bem perto, passo por ali todo dia. mas vou falar desse dia em especial, o dia em que uns maluco quase me ganharam.

tava indo pro estação, e vi que tinha uma galera na esquina. já previ. passei por eles, e veio um de frente pra mim, um que não estava com eles.
‘aí sangue, me dá 50 centavos.’
olhei pra trás, a galera tava só assistindo.
‘num tenho cara.’
‘ah, claro que tem, vocês sempre falam que num tem.’
‘mas eu não tenho mesmo.’
aí, aconteceu uma coisa foda. o cara me encostou alguma coisa pontuda. não sei se era uma faca, era pequeno. podia ser um canivete, ou sei lá, um chaveiro-canivete. mas era algo assim, uma arma de mendigo. o cara me encostou a parada. aí, não sei o que me deu, mas eu juro que segurei o braço dele, e olhei pra cara dele e falei:
‘eu não tenho cara.’
eu juro que fiz isso. não sei o que me deu. acho que chuck norris estava comigo. todo mundo diz que não se deve reagir a assalto, e eu fiz uma merda dessas. mas estava totalmente consciente do que eu tava fazendo, e isso é importante. se ele me enfiasse aquela faca eu tirava ela bem rápido, e deixava ele com uma cicatriz igual daquele cara do street fighter. mentira, algo externo me disse que ele não ia fazer isso, só queria uma grana pra comprar pedra.
‘então me dá essa blusa aí.’
tava com meu famoso moletom do belle and sebastian.
‘não, cara, tá frio.’
‘então me vende ele. ó.’
o cara pôs a mão no bolso e tirou um monte de moedas. estendeu pra mim. falei:
‘não, cara.’
aí, do nada, o cara fez um joinha pra mim e falou:
‘então valeu aí, sangue bom.’
como um vendedor. você vai na loja, faz o que tem que fazer, paga, o vendedor te agradece com um joinha. tipo, o cara tava fazendo o trabalho dele, que é assustar pessoas, ver se ganha uma grana pra comprar umas pedras e pinga. fez o que tinha que fazer, não rolou, ele agradeceu. só faltou o “obrigado pela preferência, volte sempre e tenha uma boa noite.”

aí, segui meu caminho. parei no sinal, o homenzinho tava vermelho. parou uma guria do meu lado. e ela falou:
‘você tá bem?’
??
‘hein, tá tudo bem com você?’
eu falei que sim, que tava tudo bem. aí ela:
‘eu vi o que os caras fizeram ali, pra você. eles te levaram alguma coisa?
‘não, não.’
‘nossa, anda muito perigosa essa cidade. não dá mais pra sair sozinho.’
pensei que ela me assediar, ou alguma coisa assim.
‘pois é.’
‘mas sabe, tem um segredo.’
‘hmmm…’
‘nessas horas assim, sabe o que você faz? reza. você reza bem forte. aí, você vai passar invisível por eles.’
‘hmmmm… tá.’

continua…

Anúncios

Um comentário sobre “o dia em que uns maluco quase me ganharam

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s