sobre o que é esse post?

semana passada teve uma mostra internacional de cinema aqui em curitiba. era tipo uma mini mostra, na verdade. as sobras da de são paulo vieram pra cá. vi no programa dois filmes que me interessavam: flores partidas, do jim jarmusch com o bill murray, e cinema, aspirinas e urubus. o primeiro, não vi por causa da viagem pra uma pacata cidade não muito longe daqui. o segundo, cheguei mais perto.

tinha muita gente lá na sala 1 do unibanco arteplex shopping crystal. gosto de ir lá, porque as filas de poltronas são bem longe, dá pra esticar as pernas. tinha gente sentada nos corredores até. os funcionários estavam distribuindo confortáveis almofadas pra esses infelizes sem poltrona. de todas as pessoas, de todas as sei lá, 8 mil pessoas que estavam na sala, uma se destacava. estava ali, sentado a duas filas de mim e minha senhora, ele, o homem, o mito: WILSON ANDAPARATRÁS. sim, senhoras e senhores. ele estava ali. mal podíamos acreditar.

não deu 2 minutos com a luz apagada, e o primeiro babaca apareceu. isso é um recorde, vá dizer. um cara do nosso lado ficava falando: ‘puta merda. um filme em película eles vão passar em digital, isso é uma vergonha’. falou isso repetidamente, durante uns 5 minutos, o filho da puta. porém, logo na animação das pipoquinhas divertidas, minha namorada notou algo estranho: elas costumavam falar, mas não estavam falando ali. eu não lembrava que elas falavam. o filme começou.

cartola. um carro, no deserto de algum estado do nordeste. um cara loiro dentro do carro, suando muito, parecia que fora do carro estava uns 80 graus, pela luz chapada. ouve-se o barulho do motor do carro. o cara pára. desce do carro. silêncio. o cara volta pro carro, o barulho do motor. o cara pára pra dar carona pra um cara. silêncio. a galera começou a gritar. onde estava o som. o babaca do nosso lado levantou pra ir reclamar com alguém da parte técnica, porque ele entendia tudo do assunto. o pessoal junto com ele foi atrás. aí surgiu o segundo babaca. um cara, que com sua namorada sentaram no lugar da turma que tinha saído. e quando o babaca 1 voltou, e disse que eles estavam ali, o babaca 2 ficou com uma cara de puto. esses babacas vão longe.

o filme recomeçou do zero. quando chegou na cena das falas, ainda estava mudo. aí, o bom humor tomou conta geral. a galera do fundão começou a dublar as cenas. e o babaca do nosso lado (o 1) voltou ao assunto película/digital: ‘puta merda. um filme em película eles vão passar em digital, isso é uma vergonha’.

aí eu e minha namorada saímos, senão a gente ia perder o último ônibus. muita gente também saiu, e eles devolveram o dinheiro. a gente, que é cult, ficou com crédito. vamos voltar lá outro dia pra ver outro filme. manderlay, talvez. e na saída, eis que surge outro babaca, esse, o maior de todos: o cara saiu, e tinha um rapaz dos bilhetes, cujo único serviço é pegar o ingresso e indicar a sala. o babaca ficou azucrinando o pobre rapaz: ‘porra, se vai passar filme digital, contrata um projetista que entenda do assunto’.

queria bastante ver esse filme. ainda quero. mas espero que a sala não esteja tão cheia de babacas como aquele dia.

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4 comentários sobre “sobre o que é esse post?

  1. eu vi esse filme, eu vi. asprinas, “num sei o que” e urubus. num festival em belém, que por acaso foi exibido em película mesmo. (se gabando)o filme daqueles sileciosos, tipo o pianista, que a gente fica só vendo o comportamento das pessoas.eu gostei.

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